O Risco de ser Mulher
A violência, física e sexual, e o temor à violência limitam a capacidade das mulheres para prevenir a transmissão do HIV e comprometem seu acesso a uma gama de serviços, incluindo exames e tratamentos. Além disso, as mulheres, com freqüência, experimentam uma violência ainda maior quando estão ou percebem que podem estar infectadas.
Logo no início da epidemia da Aids, acreditava-se que apenas algumas pessoas – os chamados grupos de risco – estavam expostas à contaminação pelo HIV. Era o caso dos homossexuais, usuários de drogas e hemofílicos.
Com isto, uma parte da população acreditava estar protegida contra o vírus. Este foi o caso de uma parcela importante das mulheres, especialmente as casadas ou que tinham um único parceiro. Entretanto nos últimos anos, o aumento assustador do número de casos de Aids entre as mulheres, trouxe à tona a discussão sobre outros fatores que tornam as pessoas expostas à contaminação.
No caso das mulheres algumas questões aparecem como importantes:
- A dificuldade das mulheres casadas em negociar o uso do preservativo com seus maridos ou companheiros.
- A dificuldade das jovens em negociar o uso de preservativo com os namorados, como prova de amor ou sob a ameaça de ruptura do relacionamento.
- A violência sexual, seja na vida adulta (em geral estupro) como na infância e adolescência (casos de abuso sexual), aumenta diretamente a contaminação pelo HIV e, ao mesmo tempo, leva as vítimas a se exporem a relações desprotegidas.
- A violência doméstica/ amorosa, que se expressa como violência física, psicológica e ameaça e que provoca diversos danos à saúde física e mental das mulheres. Em muitas sociedades, espera-se que as mulheres sejam fiéis, inclusive quando os homens não o são.
Estes fatores não ocorrem isoladamente, mas, muitas vezes se combinam e revelam que a contaminação das mulheres pelo HIV está diretamente relacionada com a desigualdade de poder entre homens e mulheres na nossa sociedade. Desigualdade que tem sua mais grave expressão na violência. Se para as mulheres em geral negociar o uso do preservativo é sempre um problema, para as mulheres em situação de violência este problema se agrava.
O que fazer nos casos de violência sexual?
Mesmo em situação de medo ou vergonha de fazer uma denúncia policial contra o violentador, é fundamental procurar uma unidade de saúde.
No Brasil, os serviços de saúde estão capacitados para oferecer atendimento e orientação aos casos de violência sexual. Na rede pública estão disponíveis os medicamentos necessários para prevenir a contaminação pelo HIV e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Entretanto, a eficácia é maior quando eles são administrados num curto período após a ocorrência da violência. Por isso é importante procurar ajuda o mais rápido possível. Mas, mesmo se a situação já ocorreu há algum tempo, ainda assim é importante procurar os serviços para fazer a testagem e receber apoio psicológico.
Muitas mulheres acabam por ceder a uma relação sexual desprotegida como forma de evitar uma explosão violenta do companheiro. Se isto acontece com você é hora de procurar ajuda! Em todo o Brasil já existem diversos serviços que orientam e apóiam mulheres vítimas de violência. Atendem ainda mulheres vítimas de violência sexual atual ou no passado.
Como saber se você está correndo risco de contrair HIV?
• Você se sente ou já se sentiu forçada a manter relações sexuais mesmo contra a sua vontade com um parceiro, marido, namorado, ou ainda com um estranho?
• Você se sente intimidada, constrangida ou com medo de pedir que seu parceiro use preservativo?
• Em algum momento da sua vida, você já foi submetida a alguma situação de abuso sexual?
• Você acredita que o amor ou o casamento podem protegê-la de contrair uma doença sexualmente transmissível (DST) ou Aids?
Se você respondeu sim a uma destas questões você vive ou viveu situações de risco para contrair o HIV.
Fique sabendo…
No início da epidemia da Aids, a proporção de pessoas contaminadas era de 1 mulher para cada 25 homens.
Atualmente esta proporção é de quase uma mulher para cada homem.
A principal forma de contaminação pelo HIV é através de relações sexuais.
A casa 15 segundos, uma mulher é vítima de violência no Brasil e os principais agressores são maridos, namorados, companheiros ou ex.
A estimativa de casos de estupro no Brasil é de cerca de 100 mil casos por ano.
O isolamento e a falta de informação tornam as mulheres ainda mais expostas à violência e à contaminação pelo HIV.
Texto do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde para a Cartilha Mulheres e Violências da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres


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E já emendamos com programação cultural quentíssima: no dia 13 o Ieltxu Martinez invadiu a Matilde com o acontecimento cênico 







Primeira entrada – Três bocados:
Segunda entrada: Rolinho de pato com jambú no caldo de tucupi (vegetarianos: tofu sólido defumado).







